A Filosofia da Arte (Jean Lacoste)

                    “A concepção moderna de arte, a qual, a partir do séc.XVIII, se caracteriza, de um lado, pela vinculação da beleza às produções de certas artes e, de outro lado, por uma definição dessa beleza que a faz nascer de um prazer “estético”, mais ou menos puro, mas em todo caso radicalmente subjetivo, mergulha suas raízes na filosofia platônica.”

 Se considerarmos que a pintura é essencialmente mimética, voltada para a  representação (imitar) da natureza, devemos atentar que isto não significa que a reprodução dos objetos concretos tenha que ser necessariamente “realista”. A pintura estaria representando a realidade destes objetos da existência cotidiana.

 O pintor representa o real não como este é, mas como aparenta ser. Ele pinta um phántasma. A pintura define-se, pois, por seu distanciamento do real e do verdadeiro, produz tão somente um simulacro, um ídolo.

 Para se compreender melhor: existe o objeto“natural”, o objeto em verdade; a idéia de tal objeto, como ele é idealizado e pensado, seu conceito; o objeto individual, específico, fabricado por alguém; e finalmente o objeto representado pelo pintor. Desta forma, a representação do pintor estaria em última instância, distanciando-se cada vez mais do objeto “real”.

 “A arte, com efeito, opõe-se à natureza na medida em que a produção de uma obra de arte (o fazer) se distingue do simples efeito natural, do agir, porquanto supõe uma liberdade que coloca a razão na base de suas ações. A obra deve sua forma a um fim que é pensado antes que essa obra seja realizada.”

 “As belas-artes são as artes do gênio. O gênio ou espírito é um talento, um dom natural, uma faculdade produtiva inata do artista.”

 “ O gênio é a disposição inata do espírito pela qual a natureza fornece as suas regras à arte.”