Cartas de Van Gogh a Théo
Vincent Van Gogh nasceu em 30 de março de 1853 e faleceu em 27 de julho de 1890. Neste meio tempo uma vida marcada por frustrações, fracassos, tentativas e angústias.
Vincent encontra no seu irmão Theodore (Théo) um amigo e confidente, ao qual escreve inúmeras cartas durante sua vida. Encontra no irmão o apoio necessário para continuar a batalhar e a dedicar-se à pintura.
Van Gogh tentou trabalhar no comercio de quadros, tentou ser professor, pastor, missionário, tentou estudar na universidade de Amsterdã, mas fracassou em cada uma dessas tentativas. Por volta de 1880 finalmente parece encontrar seu caminho definitivo: a pintura.
“Mas você pode estar certo, Théo, que quando fui pela primeira
vez à casa de Mauve com meu desenho feito a pena e que Mauve me disse: - Você
deveria tentar trabalhar com carvão, com pastel, com pincel e com esfuminho –
Eu tive tremendas dificuldades para trabalhar com este material novo.
Fui paciente e isto não parecia me ajudar em nada, então às vezes
perdia a paciência a ponto de pisotear meu carvão e perder toda a coragem.”
Abril de 1882
“É uma coisa admirável olhar um objeto e acha-lo belo, pensar
nele, retê-lo, e dizer em seguida: Vou
desenha-lo, e trabalhar então até que ele esteja reproduzido.
Naturalmente, contudo, esta não é uma razão para que eu me sinta
satisfeito com minha obra a ponto de acreditar que não precisaria melhora-la.
Mas o caminho para fazer melhor mais tarde é fazer hoje tão bem quanto
possível, e então naturalmente haverá progresso amanhã.”
Novembro de 1885 – Fevereiro de 1886
“Com tudo prefiro pintar os olhos dos homens, mas que as catedrais,
pois nos olhos há algo que nas catedrais não há, mesmo que elas sejam
majestosas e se imponham, a alma de um homem, mesmo que seja um pobre mendigo ou
uma prostituta, é mais interessante a meus olhos.”
(...)
“Já desenhei duas tardes lá, e devo dizer que acredito que,
justamente para fazer figuras de camponeses, é muito bom desenhar à antiga,
sob a condição, com tudo, de que não se faça como de hábito.
Os desenhos que vejo, na verdade acho-os todos fatalmente ruins e
radicalmente fracassados. E sei muito bem que os meus são totalmente diferentes: O
tempo dirá quem está certo.”
“E me ocorre sentir-me já velho e fracassado e com tudo ainda suficientemente apaixonado para não ser um entusiasta da pintura. Para ter sucesso é preciso ambição, e a ambição me parece absurda. Não sei o que será, gostaria especialmente de viver menos as suas custas – e doravante isto não é impossível -, pois espero fazer progressos de forma que você possa, sem hesitações, mostrar o que faço sem se comprometer.”
“Sinto em mim a necessidade de produzir até estar moralmente
esmagado e fisicamente esvaziado, justamente porque não tenho nenhum outro meio
de chegar a participar das despesas.”
“Pois bem em meu próprio trabalho arrisco a vida e nele minha razão
arruinou-se em parte.”
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